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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

John Lennon - Entrevista a um Fã-Clube


Amigos, a fonte desta entrevista indica o ano de 1970, no entanto, John anuncia aqui, que no dia seguinte estaria viajando para Amsterdã pra o bed-in, oras… isso foi logo após seu casamento em 1969!

FC- Eu preparei uma lista de musicas que, a meu ver, estão associadas a você; musicas que me deram a impressão de descreve-lo um pouco : You've got to hide your love Away; Strawberry Fields, It's Only Love; She said, She Said; Lucy in the Sky; I'm Only Sleeping; Run for your life; I am the Walrus; All You need is love; Rain ; Girl.

Lennon - Ah, Sim! Você sabe, concordo com algumas delas. Certo: Coisas como Hide Your Love Away - isso foi logo depois que eu descobrir Dylan. It's Only Love também , só que eu sempre tive vergonha , por causa da letra abominável; mas acho que , provavelmente , todas estão bem escolhidas. Ontem à noite George deu um pulo aqui e falou disso: - "Lembra-se como a gente ficava meio tímido quando chegava a hora da guitarra e nós mandávamos o blam-blam-blam?" Não que nós não gostássemos, mas havia alguma coisa errada. E She Said She said - puxa! Dessa eu gostei, porque nessa época eu estava meio mal, pois escrevia muito sem poder ouvir, mas aí, quando eu ouvi, eu gostei. Lucy in the Sky muito certo. Sleeping : é isso mesmo... Run for your life eu sempre detestei, sabe; Walrus , sim; Girl, sim,; All You need is love - bem, isso você sabe que é natural. As que realmente tiveram um significado para mim -de Hide You Love Away eu não sei , pois faz muito tempo - foram talvez, Strawberry Fields forever , She said, Walrus, Rain, e Girl , e mais uma outra coisa Day Tripper, Paperback Writer e mesmo Ticket to Ride. Lembro-me disso. Foi uma espécie de mudança bem nítida ... Norwegian Wood, aquela citara. Na verdade , todas eu considero como estados de espirito ou momentos.


FC - Ouvi dizer que Strawberry Fields foi escrita uma vez em que você estava sozinho, na praia.


Lennon - Justo; Na Espanha, quando eu filmava How I Won the War. Eu estava atravessando uma espécie de momento critico - sabe, de vez em quando fica muito importante para mim fazer uma musica - e daí levou bastante tempo para que a fizesse. Entende? Eu escrevia de pedacinho em pedacinho. Pretendia que a letra ficasse como se fosse uma conversa. Não funcionou, aquele verso saiu meio ridículo, e eu queria que fosse assim (John Cantarola): "Nós estamos conversando e acontece que eu estou cantando" - sentiu? Além disso, tudo era muito calmo. Afinal de contas, a música foi escrita em parte num casarão espanhol e o resto acabado na praia. Foi realmente muito romântico - ao cantar também - e eu não sei quem mais estava lá.


FC - Você não vê alguma coisa de especial nessa música?


Lennon - Oh, sim, claro que sim. Ela foi muito importante, tal como foi Ticket to Ride. Já Rain, nem tanto. Foi nessa época que eu descobri, acidentalmente a reversão. Foi a primeira vez. No final de Rain eu canto da frente para trás: a reversão. Nos já tínhamos acabado o grosso do trabalho na gravadora EMI, e estão , como de habito, levamos o resultado para casa a fim de tentar descobrir mais algum efeito, ou prever como ficaria a parte da guitarra. Bem, cheguei em casa às cinco da manhã , com a cabeça como chumbo. Zonzo de sono, liguei o gravador com as fitas recém - gravadas. Acontece que acabei pondo a fita ao contrario e a musica saiu do fim para o inicio. Eu fiquei quase em transe grudado no alto - falante. Que é isso? Que é isso? É demais, entende? Muito bacana! Daí eu comecei a querer que toda a musica, ou quase , ficasse em reversão; foi isso. Então nós introduzimos o pedaço ao contrario no fim da musica. Tudo aconteceu porque eu pus a fita errada e o som saiu ao contrário, e eu achei genial, a voz é como a de um velho índio.


FC - Já se escreveram muitas análises filosóficas sobre as suas músicas, particularmente Strawberry Fields


Lennon - Bem, eles podem destrinçá-las. Eles podem destrinçar qualquer coisa. Quanto a mim, eu pego as coisas como um todo, sabe? Eu escrevo as letras e só depois vejo o que querem dizer. Principalmente algumas das músicas melhores, ou das que fluem, que ondulam melhor, como Walrus. Primeiro verso inteiro foi escrito sem qualquer consciência do que iria sair. E Tomorrow Never Knows - na hora eu não sabia o que estava dizendo, só descobri depois - é por isso que aquelas pessoas gostam dela. Quando eu gosto de uma letra, sei que em algum lugar as pessoas a estarão olhando; quanto ao resto das músicas, não interessa, porque elas funcionam em todos os níveis. Qualquer coisa. Não me importo com o que elas provoquem. E eu gosto das pessoas que sentem que eu tenho um estranho tipo de senso ritmo. Eu sempre me perdia. Meu ritmo é esquisito.


FC - Os críticos sempre tentam achar dentro de suas músicas coisas que não existem.


Lennon - Existem sim. É como arte abstrata. Verdade, é justamente a mesma coisa. Quer dizer simplesmente que, quando você teve de pensar sobre uma coisa para escreve-lá, você já trabalhou. Mas quando a gente simplesmente diz a coisa, irmão, você sente que está comunicando: é um fluir continuo . É igual a quando a gente está gravando ou então só tocando: quando você se desliga e sente que estava na sua, mas que não foi nada, foi tudo muito puro e... bem, é isso mesmo que a gente procura o tempo todo, sentiu?


FC - Até que ponto você concorda que as músicas contribuem para formar o mito de estado de espirito?


Lennon - Não sei. Nós ficamos meio pretensiosos. Como todo mundo, nós tivemos nossa fase e agora estamos mudando um pouco, tentando ser mais naturais, menos na base do 'Táxis de papel de jornal', digamos. Nós estamos mudando, simplesmente; não sei muito bem o que está acontecendo, mas continuo escrevendo músicas. Sério, eu gosto mesmo de rock and roll. Quer dizer, aqueles lá (mostra uma pilha de discos da década de 50); eu gostava deles naquela época, gosto deles hoje em dia e, de vez em quando, tento reproduzir Some Other Guy ou então Be-bop-a-Lula . Seja qual for, para mim é a mesma coisa: eu só quero saber do som.


FC - Os Beatles são o único conjunto que já estabeleceu diferença entre amigos e namorados. Numa música vocês dizem que a "Garota"(Baby) pode guiar o carro; já em "We can work it out", vocês se referem à "amiga". Pelos padrões dessa distinção, as "garotas" nas músicas dos outros conjuntos ficam bastante depreciadas.


Lennon - É? Não sei por quê. A idéia acima foi do Paul: "Vou-lhe dar um anel de diamante, minha amiga". E foi usada como uma alternativa para garota (Baby). Mas o seu ponto de vista também seria lógico. Na verdade eu não sei. A sua interpretação é tão valida quanto qualquer outra. Em Baby, you're a rich man, a intenção era mandar as pessoas pararem de se lamentar, cada um é rico , todos somos ricos.


FC - Então a música é de gozação?


Lennon - Bem, todas elas ficam um pouco assim, porque isso tudo existe nelas. Pode acontecer quando as escrevemos ou quando cantamos. Entende? Basta uma ligeira mudança de entonação nas diferentes gravações de cada música para que o sentido da letra se transforme; por isso é que nunca temos certeza do que fizemos até ouvir a versão definitiva. E nesse ponto o lado gozativo já ficou bem forte.


FC - Alguém canta suas músicas bem, fora vocês?


Lennon - Bem, Ray Charles cantando Yesterday é bonito. E Eleanor Rigby , também, é muito bacana. Eu gosto muito das cordas nessa gravação; parece o som de cordas em 1930. José Feliciano está muito bom em Help e Day Tripper. Got to Get you into my life: claro que a gente dá das nossas com o som de Detroit. Sabe, nós somos influenciados, caminhamos na mesma direção, num dado momento. Se eu tocasse agora um disco dos Rolling Stones e um dos Beatles você veria algumas semelhanças, apesar de sempre ter existido uma distância grande entre nós e eles. Em todos nós a batida está ficando pesada. Como é que nós já fizemos coisas leves? Nós já fizemos musica Country antes, porque o Ringo gostava. A sua musica no LP The Beatles saiu country e, para ajudar, nós ainda pusemos o violino. Mas nenhum de nós esperava que a moda da música country viesse. Já que veio ótimo. O que a gente está tentando é fazer rock and roll com menos filosofia, porque achamos que devemos partir para o rock, porque a gente, na verdade, é mesmo do rock. Dê-me uma guitarra e ponha-me na frente do público. Mesmo em estúdio se for o caso, eu estou na minha, sabe? Não na base de Elvis - mas o seu equivalente: para mim é o natural simplesmente. Todo o mundo diz que a gente faça isso ou faça aquilo, mas o nosso caso é rock, sabe? Igualzinho e sempre. É esse o caso dos Beatles: rock, definitivamente. O que fizemos em Sgt Pepper foi rock e não-rock. A Day in The Life: essa foi demais. Gostei muito. Foi um bom trabalho do Paul e meu. Eu tive a idéia do I read the news today e o Paul achou genial - sabe, de vez em quando um de nós acha realmente genial uma idéia do outro - daí ele só fez dizer : "Justamente!" , acertou em cheio e tudo o mais. Foi muito bacana; nós mesmo fizemos os arranjos e ensaiamos - o que quase nunca a gente faz - na mesma tarde. Como nós todos sabíamos o que estávamos tocando, entramos na música. Tudo foi muito bacana, tudo, dessa vez. Paul cantou uma metade e eu a outra. Faltava ainda uma parte , mas seria forçado escrevê-lá, já que todo o resto havia saído tão espontaneamente; porém Paul já tinha a parte que faltava. Ela lembra um pouco 2001, não é?


FC - Então você não acha que essa música foi o máximo que atingiram?


Lennon - Não, não acho. Na minha opinião, tudo o que estamos fazendo hoje em dia ultrapassa qualquer coisa que já tenhamos feito. Mesmo que não seja possível comparar as músicas. O caso é que as músicas já feitas não são mais da onda. Elas foram muito bacanas, mas foram só músicas, sabe, ótimas e tudo mais, mas há coisas muito melhores por fazer.


FC - Hey Jude foi influenciada - talvez inconscientemente - pelos hinos religiosos hindus (Mantras)?


Lennon - Acho que não - pelo menos conscientemente. Você deve estar se referindo à repetição prolongada no fim da musica, não? Eu nunca pensei nisso, mas é tudo válido, sabe? A gente havia acabado de voltar da Índia. Quanto a mim, sempre associei Hey Jude às primeiras músicas dos Drifters, ou a You'd better move on, ou a Bring It Home to me, de Sam Cooke, ou então Send me Some Loving; todas elas me parecem expressar o mesmo tipo de sentido.


FC - Você se sente livre para dizer o que quiser numa música?


Lennon - Sim. Antigamente eu - bem, todos nós - excluíamos frases, temas e até notas, porque eram banais, clichês. E isso vinha assim até o ano passado, quando todos nos libertamos disso com Revolution, onde retornamos ao básico. Nessa musica eu toco guitarra e não melhorei nada como guitarrista desde que havia parado de tocar nos discos. O som é aquele mesmo que eu queria.
É uma pena que eu não toque melhor o dedilhado, sabe? - mas que seria impossível fazê-lo, no ano passado; eu ficaria muito paranóico. Eu não conseguiria tocar o di-di-di-di-di-di, e, por isso, quem tinha de tocar era o George ou então um guitarrista melhor. Mas agora eu acho muito bacana, inclusive os clichês. Nós já passamos a fase de não usar certas palavras só porque elas não fariam sentido. E é claro que Bob Dylan nos ensinou muito a esse respeito. Outra coisa: eu escrevia de um jeito contos e livros, e de outro as letras de música. Nos livros eu escrevia num estilo completamente livre quanto à forma, mas quando começava a escrever uma letra tinha que ser dentro do
di-di-di-di-di-di da musica. E foi só com Dylan e todo o movimento contemporâneo que eu vi que dava tudo no mesmo, que o caso era cantar as palavras.


FC - Você escreve as suas músicas com instrumentos ou na cabeça?


Lennon - No piano ou na guitarra. Quase todo o LP the Beatles foi feito na guitarra, porque nós estávamos na Índia e lá só tínhamos as guitarras. As músicas saíram diferentes. Eu senti falta do piano, porque é diferente escrever ao piano e na guitarra. Eu toco piano pior do que guitarra; alias eu quase nem sei quais são as notas do piano. E é melhor ter um pouco menos de tintas para pintar, rá-rá.


FC - Que achas da versão de Bob Dylan para Norwegian Wood?


Lennon - Eu fiquei muito paranóico. Lembro que ele a tocou para mim quando esteve em Londres. Ele disse: Que tal"? E eu respondi: "Não gostei". E não gostei mesmo; fiquei muito paranóico. Eu achei que era gozação pura, sabe? , mas não era. Era para valer. Quer dizer, ele não estava tirando onda para cima de mim. Eu estava entendendo.


FC - O que achas de suas novas músicas?


Lennon - São boas. Só que eu acho o acompanhamento meio chato, e é tudo. Mas ele tem razão no que está fazendo, porque em geral ele tem.


FC - De certa forma você e Dylan se relacionam.


Lennon - É? É, durante algum tempo nós andamos juntos, mas eu não consegui agüentar. Muito paranóico. Eu sempre o visitava quando ele vinha a Londres. Eu comecei a achá-lo bacana uma vez em Nova York. Ele pensava que em I want to Hold Your Hand, quando diz "I Can't hide", fosse "I get High": era isso que ele entendia. Daí ele apareceu com Al Aronowitz e nós ficamos naquela, foi uma gargalhada só a noite toda. Somos muito gratos a ele.


FC - Vocês ainda se vêem?


Lennon - Não. Porque ele está vivendo sua vidinha sossegada, está em outra. Se eu estivesse em Nova York, seria ele a pessoa que gostaria mais de visitar. Eu já me desenvolvi ao ponto de poder me comunicar com ele. Nós dois éramos muito fechados, sabe? E claro que sendo eu fechado não conseguia descobrir que ele era fechado; eu era meio... tudo isso. Mas a gente se via, porque gostava da companhia um do outro.


FC - As fotografias na capa do disco Two Virgins são tão simples que lembram os daguerreótipos...


Lennon - Ah, é porque fui eu que tirei. Eu também sou fotógrafo, sabe? Quando eu fui ao Japão algum japonês vivo me deu uma Nikon, e tenho ainda a Pentax, a Cannon, a vum - vum e todas as outras. Então, eu resolvi tirar as fotos eu mesmo.


FC - Você não liga para as gracinhas dos chatos na rua?


Lennon - Não, não. Claro que não era muito confortável andar pela rua com os choferes de caminhão soltando piadas, etc., mas isso acaba passando. Na realidade, todos nós estamos nus. Quando atacam a Yoko e a mim, sabemos que eles são paranóicos, não ligamos muito. São eles que estão por fora, e a gente sabe que eles não sabem que não sabem; todo esse pessoal vive no nada. O caso é que o disco também significa o seguinte: "Olha, não chateia, tá? É um casal - que foi que nós fizemos?"


FC - Lanny Bruce (um cômico) já se comparou a um médico, argumentando que, se as pessoas não estivessem doentes, não precisariam dele.


Lennon - É isso mesmo, não é? Desde que nós passamos a ser mais naturais em público - nós quatro - já levamos muita paulada. Quer dizer, nós estamos sempre como somos, sempre naturais; não poderia ser de outro jeito, nós não estaríamos onde estamos se não fosse assim. E foi preciso a força de todos os quatro para chegar até aqui, nenhum de nós teria conseguido chegar ao sucesso e ficar lá. Não sei por que sou o mais atacado, mas deve ser por que sou eu o que fala mais; sabe, me dá alguma coisa e eu esqueço o que sou, até que, quando vejo, já deu galho de novo. Quer dizer, a gente é atacado por baixo, pelo próprio pessoal da música - eu pessoalmente. É todo mundo agindo assim. E eu acho bom pararem logo.


FC - É pena que as pessoas não possam vir até aqui individualmente para ver como você está vivendo.


Lennon - É, é isso mesmo. Passou mais de um mês depois que eu e Yoko viemos morar juntos, que eu não vi Ringo e sua esposa, e ainda havia rumores circulando sobre o filme e tudo o mais. Maureen dizia que achava muito esquisito o que estava acontecendo e onde a gente andava. E todos os meus amigos e o pessoal da Apple reagia estranhamente quanto a Yoko e a mim, e a tudo o que estávamos fazendo - "Será que eles estão doidos"? Claro que não estávamos, mas, se eles ficavam intrigados e achavam estranho o fato de nós dois estarmos juntos e fazermos o que fazíamos, imagine o resto do mundo o que não pensava...


FC - A revista Times publicou uma entrevista com Jean-Luc Godard


Lennon - Ah, sim, e ele disse que nós devíamos fazer não-sei-o-quê. Olha, isso é despeito de um cara que não conseguiu que nós aparecêssemos num de seus filmes (On Plus One, no qual os Stones aparecem), e eu não esperava isso de alguém como ele. Prezado Sr. Godard, o fato de nós não concordarmos em fazer um filme consigo, não quer dizer que a gente julgue que está fazendo coisas mais importantes. Nós todos devemos fazer tudo o que estamos fazendo.


FC - Mas Godard colocou a questão em termos políticos. Ele disse que quem não concorda com as instituições vigentes e tem dinheiro e influência devia lutar para substitui-las, e que vocês não o fazem.


Lennon - E o que acha ele que nós estamos fazendo? Ele que pare de ver só seus próprios filmes e dê uma olhada no resto do mundo.


FC - Que aconselharia a um ativista do Poder Negro que tivesse mudado de idéias, mas fosse impedido de se integrar na sociedade?


Lennon - Bem, eu não diria nada, porque ele é que tem de descobrir. Se ele achar que a única solução é a violência, não adianta tentar convencê-lo do contrário, porque ele sabe melhor que eu qual é a situação. A violência está em todos nós também, e por isso eu introduzia a parte do sim e não em algumas gravações de Revolution e na versão para a televisão: "Destruição, sabe, não conte comigo ... mas conte comigo"; contra e a favor, sim e não , é como o Yin e Yang das religiões orientais. Eu prefiro o não, prefiro ser contra a violência. Porém ela existe em nós. Não sei o que faria no lugar do sujeito acima ; mas acho que eu não seria muito pacifico nem humilde.


:: 2ª entrevista ::


Lennon - Não acho natural que as pessoas tenham de se incomodar com o nosso casamento, como se este fosse o fato mais estranho ocorrido no mundo ultimamente. Não há nada de mais natural duas pessoas se casarem quando se amam realmente. É, acima de tudo um ato de confiança mútua, o casamento só diz respeito às duas pessoas por ele envolvidas. Quando falo no amor, entre eu e Yoko quero dizer que ele atinge a tudo que fazemos, tudo o que nos rodeia. Entenda, não se trata apenas do fato de dizermos que ele existe. Na verdade ele existe realmente.

Yoko - O casamento muda as pessoas nele envolvidas. Assim foi comigo nas duas vezes que me casei anteriormente, assim foi com John. Mas ele está acima de qualquer obrigação com essa sociedade tão cheia de erros. É algo superior, que só a nós interessa. Paradoxalmente, se o nosso casamento interessa ao mundo, não é pelo simples fato de ser um dos Beatles, mas porque um homem tenta pela segunda vez encontrar uma razão para viver, o que só conseguimos pelo amor total.


Lennon - Alguns jornalistas insinuaram, logo que começamos a viver juntos, eu e Yoko, que as divergências entre os Beatles aumentavam dia a dia, que muito em breve iríamos nos separar e o exemplo disso eram alguns de nossos negócios em comum que foram desfeitos. Paul , George, Ringo e eu somos tão unidos quanto no começo dos Beatles como conjunto musical. Todos sabem que mudamos muito desde então, e todos devem saber também que temos consciência disso. Sabemos da influencia do grupo em todos os jovens do mundo inteiro. Yoko nada tem a ver com nossas relações que continuam inalteradas, fiquem tranqüilos. Os Beatles existirão ainda por muito tempo, sob outras formas, diferentes de hoje, talvez, porque tudo evolui, mas eles nunca vão desaparecer. O que é importante dizer, como todos os homens, um é diferente do outro. Assim, se Paul é mais agnóstico, mais cínico na maneira de ver o mundo do que eu, isso não quer dizer que nunca mais nos falaremos. A vida mostrará quem tem razão.

Desde que paramos de dar apresentações para o público, nós resolvemos nos permitir uma série de necessidades que há muito se manifestavam dentro de nós. Assim é que Paul fez filmes curtos com Ringo, George estudou musicologia oriental e eu escrevi dois livros e produzi um filme com Richard Lester, How I won the war (Como ganhei a Guerra). De cada uma dessas experiências trouxemos alguma coisa de novo para o nosso trabalho em conjunto. Mas as pesquisas de cada um se desdobram, as necessidades de expansão de uma força de criação se fazem notar cada vez mais fortes, e ai sentimos necessidade de explodir. Cada um de nós o faz de uma maneira, certo?
Os Beatles existirão sempre como organização, e sabe porque? Pela possibilidade que teremos de fazer alguma coisa pela juventude, pela paz no mundo. Amanhã mesmo partiremos para Amsterdã onde participaremos de várias manifestações públicas pela paz no mundo. E eu e Yoko pensamos em continuar a participar desse movimento pela paz até que aqueles que pensam que nós somos dois farsantes vejam que nunca falamos mais sério em nossa vida. O que acontece é que todas as pessoas que participam contra o sistema, hoje em dia, correm o risco de ficarem tristes demais. Mas eu penso que esse tipo de luta não impede que sejamos alegres. Eu prefiro ser sempre o cara que chega numa festa e anima as pessoas tristes apenas com a presença.


Yoko - John e eu sabemos o risco que estamos correndo, sabemos que os inimigos pensam que somos dois farsantes. Mas no momento em que eles virem que estamos realmente decididos a enfrentá-los, temos certeza de que eles tentarão tudo, e até mesmos métodos violentos. John e eu sabemos que corremos o risco de sermos assassinados.


Lennon - Foi o que ocorreu com todos os personagens que falaram de paz no mundo recentemente, os Kennedy, Luther King e Gandhi. Não faremos nada político, mas um movimento muito amplo, que contará com os jovens de todo mundo.
A paz é necessária para a sobrevivência dos homens em condições naturais. Poucas pessoas têm vivido de verdade nessa época tão confusa. Temos a responsabilidade de descobrir um novo caminho. Afinal é hora de assumirmos a direção do Submarino Amarelo

Os inimigos? Eles são muitos, poderosos, e estão por todas as partes em que existam mais de três homens vivendo. Estão no ar, estão no espírito.
Os inimigos querem destruir a possibilidade que o homem tem de encontrar a paz e a tranqüilidade necessárias para a sua sobrevivência. É preciso que as pessoas acreditem que precisamos ser contra a guerra, de qualquer maneira. Mas não é a guerra que resolverá qualquer problema, não é a guerra que trará para o homem o caminho da paz. É preciso que os homens acreditem na possibilidade de uma paz sem guerra. Uma paz permanente. Por isso os inimigos poderão ficar bem tranqüilos quanto ao futuro dos Beatles.
Continuaremos unidos, por sabermos que esta é a maneira de mostrarmos que temos um caminho a percorrer, uma existência a cumprir.
Ficaremos sete dias sem levantar da cama em sinal de protesto contra as guerras em todo o mundo. Gostaríamos que os jovens nos acompanhassem em nosso protesto.


John Lennon já estava em lua-de-mel com Yoko Ono, no Hilton Hotel de Amsterdã. No quarto, frutas, discos, gravadores, caixas de chocolate. A um canto, vestindo robes brancos de guru, o casal Beatle recebe os jornalistas. John fala mansamente - "O que todos devem compreender é que a nossa ambição é apenas deixar um exemplo de viver". E acende um cigarro. O regime macrobiótico não impede seus seguidores de fumar e ele o faz com certa freqüência, às vezes com haxixe em vez de tabaco.


Lennon - Quando estou cansado, prefiro fumar a beber algumas doses de uísque. Está provado que o álcool prejudica o organismo, enquanto o fumo, qualquer que seja ele, não. Além disso , não há ressaca.
E os Beatles? Eles existirão sempre, mesmo em outra sociedade, em outro sistema. Nós estamos em todas as partes, até mesmo no ar.


E John, abraçando Yoko, soprou forte a fumaça do exótico cigarro.



Fonte: http://www.geocities.com/SunsetStrip/Scene/7525/6.htm


Um comentário:

Lucinha Beatle disse...

Alessandra, tudo que diz respeito a John Lennon é muito bem-vindo, e agradeço muito pela sua iniciativa em postar aqui esta entrevista feita com ele pelos seus fãs!
Um grande beijo e volte sempre!
"We Love all the 4 Beatles forever"!